A importância da certificação para garantia da expansão do mercado de biometano brasileiro foi assunto de debates
Foz do Iguaçu – O segundo painel do dia de abertura do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, apresentou o tema “O Mercado de Certificados”, reunindo especialistas e representantes de instituições do setor. A palestra foi ministrada por Luciano Figueredo, gerente de Projetos do Instituto Totum, e teve como debatedores Luis Felipe Poli, gerente de Desenvolvimento das Operações de Gás e Energia da Petrobras, e Tayane Vieira, head de ESG da Gás Verde. Já Amanda Gondim, superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da ANP, fez a moderação.
Luciano Figueiredo iniciou sua fala explicando sobre as Garantias de Origem dos Combustíveis do Futuro. São essas garantias que comprovam a produção do combustível renovável, seguindo normas da book-and-clain, que garantem a certificação, garantindo a qualidade deste produto.
Com isso, evita-se que um produto seja certificado com duplicidade e permite que sejam utilizados por indústrias que precisam alcançar metas de descarbonização, dentro dos protocolos ESG – Environmental, Social and Governance. “Simplificar o processo de descarbonização de empresas”, destacou.
De acordo com Figueredo, a operação é a vida do SEGOOB (Sistema de Certificação e Garantia de Origem do Biometano), gerando lastro com a ANP (Agência Nacional do Petróleo), e conseguindo certificação para cada usina. “Cada SEGOOB vai ter certificados individualizados com dados da produção, como mês e ano, qual substrato foi utilizado e se o mesmo volume teve emissão”, explicou.
No debate entre os especialistas, Luis Felipe Poli, da Petrobras, disse que o mercado no país está na vanguarda. “Às vezes as pessoas estranham ver a Petrobras falando de biogás e biometano, mas em 2008, levamos as primeiras amostras para a faculdade no Rio Grande do Sul. (…) Desde essa época, a Petrobras vê o biogás e o biometano como combustíveis do futuro”.
Ele afirmou, ainda, que a estatal está na condição de “agentes obrigados”, com plano de abrangência contando com investimento em biometano. “Enxergamos o uso do biometano como o principal fomentador. Produzir combustível com potencial renovável e usar o biometano para descarbonizar nossas operações”.
O gerente lembrou que a Lei do Combustível do Futuro foi publicada em 2024 e, em 2025, a empresa abriu a possibilidade de compra do combustível renovável de empresas.
Tayane Vieira, da Gás Verde, que produz o combustível renovável a partir de aterros sanitários, numa quantidade de 2 mil metros cúbicos por dia, sendo uma das maiores indústrias desse setor no país, falou que com o surgimento do Certificado foi possível esclarecer sobre o mercado. “O que antes a gente emitia de forma voluntária, agora é feito de forma oficial por meio do governo. Ela explicou que os certificados geram poder às empresas, tornando-se um atributo ambiental. Tayane citou que estrangeiros enxergam no Brasil um lugar para investir e descarbonizar suas empresas.
“O certificado, para a gente que é produtor, dá a possibilidade de aumentar a produção e ajudar empresas a atingir as metas de descarbonização. Hoje podemos oferecer o certificado da maneira que o mercado quiser”, completou.
Luciano Figueredo comentou que existem alguns marcos do que foi o setor no passado e o que será no futuro, e que o foco da certificação é evoluir o mercado: “Estamos trabalhando para unificar: onde eu emitir o GGS, estou emitindo SEGOOB. Ele veio para agregar e contribuir. Todo mundo ganha”.
Figueredo falou, ainda, sobre a dificuldade em entender o mercado internacional nesse setor, que ainda não deixa de forma clara o trabalho que desenvolve. “Quando a gente vai para o mercado internacional, há uma questão mais complexa, porque a gente não sabe o que eles irão pensar. Hoje, a exportação não tem SEGOOB, mas no futuro deve acontecer, sendo conectado a outros instrumentos”.
Luis Felipe Poli concluiu o painel dizendo: “precisamos continuar fazendo o que fazemos nos últimos anos, focando em um mercado equilibrado e bem construído, como tem sido feito nos últimos anos”. Ele ressaltou que a Petrobras não irá interferir no mercado voluntário. “É integridade, confiabilidade e transparência”, finalizou, citando os três eixos fundamentais para o aumento do mercado de biocombustíveis.
Tayane Vieira concluiu ressaltando que o potencial do biometano vai crescer no mundo, sendo o Brasil o maior e com um programa estruturado.
O FÓRUM – Realizado pelo CIBiogás, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul. A oitava edição ocorreu de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
Patrocínio Diamante: Itaipu Parquetec; Itaipu Binacional.
Patrocínio Ouro: 3DI Biogás; AB Energy; Awite; Bioo Soluções; Brasuma; PlanET; Roeslein; Scania; Schulz; UBE; Ultragaz; Vogelsang; WLM/CHP.
Foto Hidalgo Gomes/Divulgação FSBBB