Outras perspectivas no setor da energia elétrica brasileira e o papel do biogás para minimizar os impactos no meio ambiente foram assunto entre palestrantes, que apresentaram exemplos de inovações adotados por empresas do setor
Foz do Iguaçu – No painel 4, no início da tarde do primeiro dia do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, especialistas do setor debateram o tema Energia Elétrica, Novas Abordagens. As palestras foram ministradas por Flaviano Masnik, representante da Diretoria Financeira da Itaipu Binacional; Drausio Lima da Silva, da Vogelsang; Péricles Pinheiro Filho, da WLM/CHP Brasil; Rodrigo Regis Galvão, da CEPEL; Silla Motta, da Dona Lamparina; e Vilson Martins Filho, da Kognos Energy. A mediação ficou por conta de Sandro Nelson Vieira, da SUPEN (PR).
Masnik iniciou o ciclo de palestras falando da geração da usina de Itaipu, que representa 7% da energia consumida no Brasil e 80% do Paraguai. Mesmo sendo uma hidrelétrica, ele salientou o investimento da empresa em projetos de outras formas de geração de energia, como a fotovoltaica. Lembrou que há mais de uma década, a usina investe em biometano e biogás. “Começamos antes desse grande movimento que hoje ocorre”, disse.
“A Itaipu investe muito em inovação. Às vezes, as pessoas não enxergam as conexões, mas lá na frente acontece. Todas essas energias renováveis são atributos ambientais, não apenas na questão de energia, mas para as empresas. Não é só energia, mas toda uma cadeia que podemos utilizar nesse sentido”, explicou.
Silla Motta, CEO da Donna Lamparina, falou sobre o crescimento dos data centers no Brasil e o ambiente propício que é necessário para desenvolver essa tecnologia. Ela apresentou como exemplos a cidade de Eldorado do Sul (RS), que possui um data center equivalente a 1,4 mil campos de futebol, e o do Rio Al City, no Rio de Janeiro.
“Muitas vezes, a gente fala de data center mas nem sempre é vislumbrado o que está sendo trazido para o Brasil. Para isso, precisa de uma energia contínua, para que a operação não seja interrompida”. Ela explicou que a operação de um data center é como a de um hospital, precisando de uma fonte própria de geração de energia. “Na pesquisa que realizamos, de 8 mil data centers encontramos apenas um, o da Aplle, na Califórnia (EUA), que é a biogás, por meio de células de combustível”, contou. Um dos problemas apontados pela palestrante é o lixo eletrônico gerado para o funcionamento de um data center, desafio a ser superado. Ela completou ressaltando que o mundo digital não elimina a dependência física.
Drausio Lima da Silva, diretor Administrativo da Vogelsang Brasil, disse durante sua palestra que a visão da energia mudou. “O Brasil sempre se preocupou em como gerá-la, e agora é preciso olhar como operar essa energia”, afirmou. “A gente tem que parar de pensar no biogás como forma de gerar energia, mas como ponto estratégico e trabalhar a flexibilidade do sistema, com mais estabilidade. Enquanto outras fontes produzem quando podem, o biogás produz quando precisa”, disse, lembrando tratar-se de uma energia renovável e programável.
Vilson Martins Filho, CEO da Kognos Energia, levou como tema o autoconsumo, dizendo que a energia gerada não acompanhou o consumo no país. “O Brasil expandiu a geração de energia em um cenário de alta de juros. “Um desafio para começar a criar um plano de consumo de energia, seja ele centralizado e descentralizado”, afirmou a palestrante. A proposta é criar no país data centers mais enxutos e focados para o consumo do Brasil, diferente do modelo dos Estados Unidos.
A conectividade funcionaria com starlink, consumo constante e bancos tomando os ativos gerados.
Péricles Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento de Negócios da WLM/CHP, mostrou a expansão de 60% da empresa nos últimos anos, já atuando em todas as regiões do país. “Estamos tratando de bateria verde, 100% natural, com 76% de geração por energia solar. ”Ele defendeu que o biogás pode atender à demanda que, no passado, era feita pelo diesel nas propriedades.
Ainda no painel, durante os debates, Drausio Lima da Silva, da Vogelsang, estimulou a plateia a pensar, dizendo que estamos em um país com a maior quantidade de biomassa do planeta, mas que não está acessível, devido à baixa degradação natural. “Mas o recurso está ali, o que a gente precisa é superar esse gargalo tecnológico. Na prática, o que precisa é deixar esse recurso acessível”. Lima mostrou um alimentador universal premix que faz o desfibramento da biomassa e o tratamento. “Após tratado, a gente precisa fazer com que esse recurso volte para o solo. Não basta gerar o biodigestato, mas aplicar na base da planta com a dose certa”. O mecanismo pode ter controle, precisão e baixa volatilização do produto, garantindo o melhor uso final da biomassa.
Ao final do painel, os palestrantes falaram sobre as experiências de geração de biogás. Rodrigo Régis, da CEPEL, disse que é preciso entender o que está sendo discutido para o setor, dentro de novos aspectos. “Como isso tudo vai se adaptar ao novo sistema distribuído”, resumiu. Silla ressaltou que o excesso de energia renovável que o país possui atualmente pode ser um problema se não for bem pensado. “O Brasil precisa olhar a energia de forma integrada. Não pode entregar a mesma energia em todas as regiões”, defendeu. Péricles mostrou preocupação com a possibilidade de colapso na geração de energia e a importância de debater esse problema. Por sua vez, Drausio complementou sobre a importância do setor apresentar novos projetos.
O FÓRUM – Realizado pelo CIBiogás, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul. A oitava edição ocorreu de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
Patrocínio Diamante: Itaipu Parquetec; Itaipu Binacional.
Patrocínio Ouro: 3DI Biogás; AB Energy; Awite; Bioo Soluções; Brasuma; PlanET; Roeslein; Scania; Schulz; UBE; Ultragaz; Vogelsang; WLM/CHP.
Foto: Wellington Sauer/Divulgação FSBBB