Diferentes culturas agrícolas ganham destaque durante debates sobre o setor de energia renovável; um dos exemplos compartilhados vem da Áustria
Foz do Iguaçu – O painel O Negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas reuniu palestrantes e debatedores na programação do primeiro dia do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR). Eles trataram a respeito do potencial das diferentes matérias-primas para produção de biogás. Bernhard Drosg, da Task 37/BOKU University/BEST, da Áustria, e Rafael Parrella, da Embrapa Milho e Sorgo, falaram no painel, que contou ainda com Airton Kunz, da Embrapa Suínos e Aves, e Debora Oliver, da Energisa. A mediação foi de Simone Damasceno Gomes, da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná).
Bernhard Drosg, que é professor e pesquisador, iniciou a palestra explicando que a Task 37 trabalha com diversos tipos de resíduos, com pesquisa realizada por uma equipe na Áustria, além de colaboradores dos Estados Unidos e Brasil. A apresentação mostrou os programas com uso de esterco para geração de energia. Ele levou o exemplo de um produtor austríaco que refina açúcar por meio da beterraba. A energia utilizada vem de uma refinaria própria de biogás, que produz 5 mil metros cúbicos. “Outro exemplo é o da produção de frutas com o processamento de 65 mil toneladas de batatas e geração de 8 mil metros cúbicos de biometano”, citou.
Drosg lembrou que, em 2024, visitou uma propriedade rural na cidade de Medianeira, no Brasil, que na época abatia oito mil suínos. Lá, eles já produziam biometano em biodigestores. O exemplo foi levado à Europa. Ele concluiu mencionando que resíduos produzidos pela indústria alimentícia podem ajudar no aumento da produção de biogás, havendo um sistema integrado.
Parrella, pesquisador da Embrapa, falou sobre as culturas energéticas do sorgo e do capim-elefante, que podem servir como substrato para produção de biogás e biometano. “A Embrapa tem várias culturas nas quais vem investindo com o objetivo de diminuir os combustíveis fósseis e investir em hidrogênio”, afirmou.
O pesquisador apresentou o benefício da produção e utilização do sorgo biomassa para geração de energia. A espécie é de melhor manejo e não desloca outras culturas. No caso do capim-elefante, o material tem grande capacidade produtiva. “A alternativa que a gente usou é a silagem, mais barata e produtiva, que pode ser armazenada e utilizada ao longo do ano”, disse.
Segundo explicou Parrela, o capim é uma cultura semiperene, com três plantios anuais, o que garante o uso ao longo do ano da produção de biomassa. O método já garantiu um salto na produção da biomassa onde o projeto foi adotado. “As culturas energéticas apresentam grande potencial para a produção de biogás e biometano no Brasil. Um ponto-chave é a oferta constante de biomassa, desenvolvendo a economia local”. Concluiu sua fala reforçando a necessidade de produção em áreas mais marginais, ampliando as áreas de cultivo e sem competir com a soja ou o milho.
Ao final do painel, Bernhard Drosg contou que na Áustria, os produtores precisam comprovar a produção para geração do biometano. Isso propicia que o setor seja totalmente legalizado e competitivo. Em seguida, Rafael Parrella ressaltou que é preciso adaptação da cultura agrícola para geração de energia renovável com a ajuda de máquinas modernas. “É preciso ficar atento em quando fazer a colheita, a melhor época para a produção de biogás”, explicou.
Após, Debora Oliver, diretora-presidente dos Negócios de Gás do Grupo Energisa, falou sobre a importância de analisar a composição do substrato para saber o resultado final. “No final, pode inviabilizar ou não trazer todo o potencial”, disse. Para ela, é preciso analisar o potencial do substrato a ser utilizado de acordo com cada região do país. “Essa decisão é o cerne dessa questão, é fator determinante para o sucesso do projeto.”
Airton Kunz, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, ressaltou que a organização trabalha há muito tempo para o desenvolvimento desse setor, principalmente para o Sul do país. “Na produção animal a gente tem em granjas um volume produzido cada vez maior”. De acordo com ele, como alguns materiais têm alta concentração de água, chegando a até 95% em alguns casos, possibilita a mistura com outros resíduos. Essa composição pode aumentar a produção. “Precisamos entender o que temos no território e ver como podemos trabalhar da melhor maneira o substrato para o biodigestor”, explicou Kunz.
Para finalizar, a mediadora Simone Damasceno Gomes salientou que as apresentações dos palestrantes e dos debatedores mostraram a possibilidade de avanços em relação aos substratos, pensando em economia circular e assegurando uma finalidade adequada a todos eles.
O FÓRUM – Realizado pelo CIBiogás, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul. A oitava edição ocorreu de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
Patrocínio Diamante: Itaipu Parquetec; Itaipu Binacional.
Patrocínio Ouro: 3DI Biogás; AB Energy; Awite; Bioo Soluções; Brasuma; PlanET; Roeslein; Scania; Schulz; UBE; Ultragaz; Vogelsang; WLM/CHP.
Foto: Hidalgo Gomes/ Divulgação FSBBB