Empresas do setor de geração de energia renovável e outras matérias de reuso mostram processos para o aproveitamento energético na indústria do biogás
Foz do Iguaçu – No segundo dia do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, o painel “Indústria do Biogás” reuniu os representantes de empresas e instituições do setor: André do Amaral, da PlanET; Cicero Bley Jr., da Nuresys/Bley Energias; Erik Rezler, da Archea; Luis Guilherme P. Andrade, da Bioo; Marco Antônio Ramme, da Ekodata, e da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Suelen Paesi. Os debates foram moderados por Thiago Olinda, coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio Renovável na SUPEN Paraná (Superintendência-Geral de Gestão Energética (Supen), vinculada à Secretaria do Planejamento (SEPL), do Governo do Paraná).
Suellen Paesi, pesquisadora da UCS, levou ao debate as possibilidades de geração de energia renovável e os estudos desenvolvidos com microrganismos e genes. Dessa forma, poderiam otimizar cada produção. “Pensar em como melhorar o produto que nos interessa, no caso, o biometano”, disse. Ela citou exemplos de processos da microbiota (microrganismos que habitam um ecossistema específico) que podem ser utilizados em sorgo, cama de aviário e cana-de-açúcar. Ela falou ainda sobre a cocultura, como a utilização de produção de biometano por mais de uma cultura como forma de otimizar essa produção.
O engenheiro Cícero Bley, diretor-executivo da Nuresys/Bley, falou sobre a biodigestão anaeróbia – processo natural de decomposição da matéria orgânica realizado por microrganismos em um ambiente sem oxigênio – para a produção de gás. Ele citou, ainda, a preocupação com a concentração de substâncias na água residual usada pela agricultura, que pode ser utilizada para produção de fertilizantes.
Para Bley, esse mineral não é aproveitado da forma como poderia, sendo descartado sem a retirada do fósforo e magnésio. Se bem usado, pode se tornar rentável. Ele cita a estruvita (mineral composto por magnésio, amônio e fosfato) e a água de reuso para esse processo. Para isso, é utilizado o digestato, que é fonte de produção de fertilizante, um produto de interesse internacional. “Esse processo traz o fósforo da proteína vegetal para a proteína animal e temos um biofertilizante na água trazida de lá”, explicou. “Estamos perdendo a possibilidade de utilização desses nutrientes. O produto pode ser recuperado custando a metade do valor do comprado hoje”, acrescentou.
Marco Ramme, engenheiro ambiental e fundador da Ekodata, falou sobre as oportunidades do biodigestato, aproveitando os grandes volumes de massa gerados na agropecuária. Ele citou a necessidade de tratamento e reuso de resíduos da criação de animais para que não se transformem em problema. Ramme mencionou, ainda, a Tecnologia Sistrates desenvolvida pela Embrapa em projeto em Santa Catarina, e que é utilizada pela Ekodata. Esse sistema pode ser adaptado à necessidade de cada produtor, podendo ser usado para biodigestores com separação de sólidos, como nas granjas de suínos, por exemplo. Outro é o modelo de nitrogênio, que reaproveita a massa gerada por dejetos da criação de animais nas granjas. “Não existe uma solução mágica para os projetos, mas tecnologias que ajudam a encontrar uma solução”, disse.
Na palestra de Erik Rezler, diretor-executivo da Archea, o assunto foi a importância da hidrólise no processo da biodigestão, com soluções personalizadas para cada cliente. A ideia é trabalhar os substratos de cada região e país, de acordo com cada cultura. Ele falou sobre a aplicação de técnicas com micronutrientes para ajudar no processo de biodigestão, aumentando a geração e diminuindo custos. “A ideia é trazer uma solução para melhorar a produção”.
Luis Guilherme Andrade, diretor Comercial da Bioo, explicou o trabalho da empresa, que oferece plataformas de tratamento de resíduos em escala industrial. Ele disse que a empresa traz um processo seguro para o agronegócio, entregando estabilidade de geração de energia renovável para a produção. “Oferecer biometano para que seja utilizado nos processos e no transporte. (…) A ideia é que a gente possa oferecer para esse grande mercado uma energia estável”, falou. A Bioo desenvolve, por meio de biodigestores, em propriedades rurais do Rio Grande do Sul, fertilizantes produzidos a partir da matéria produzida em propriedades agropecuárias. “Nosso próximo passo é uma planta (projeto) em Toledo (PR)”, afirmou.
Em seguida, André do Amaral, desenvolvedor de negócios da PlanET, mostrou os resultados de uma usina de biogás de diferentes tipos de substratos e tecnologias. “Trabalhamos o conceito tecnológico para entregar um controle linear de produção para nosso cliente”, resumiu. Amaral citou três pilares centrais para a entrega do trabalho: otimização do processo biológico, com etapa de planejamento; desenvolvimento da engenharia, com soluções específicas, e tecnologia para os processos.
O FÓRUM – Realizado pelo CIBiogás, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul. A oitava edição ocorreu de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
Patrocínio Diamante: Itaipu Parquetec; Itaipu Binacional.
Patrocínio Ouro: 3DI Biogás; AB Energy; Awite; Bioo Soluções; Brasuma; PlanET; Roeslein; Scania; Schulz; UBE; Ultragaz; Vogelsang; WLM/CHP.
Foto: Hidalgo Gomes/Divulgação FSBBB